terça-feira, 7 de outubro de 2014

MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA



O Brasil é um país integrado no sistema capitalista. Aparentemente, nesse sistema predomina a “livre iniciativa, a “livre concorrência”, de modo que todos possam ter a chance de se tornar ricos, ou seja, proprietários de capital. Capital não é só dinheiro aplicado no mercado financeiro. São considerados capitalistas todos os proprietários de meios de produção (terras, minas, usinas, fábricas), os donos de bancos e de empresas urbanas e rurais. Eles formam a burguesia.

Porém, o capitalismo não oferece as mesmas oportunidades a todos. Ele é como um grande funil de cabeça para baixo. Ou uma grande pirâmide. No pico estreito estão os donos do capital, a pequena minoria que controla as grandes riquezas. No meio está a classe média, os profissionais liberais, conhecidos também pelo nome de pequena burguesia, pois nela se incluem os pequenos proprietários. O grande e largo alicerce é integrado pelos trabalhadores, os assalariados da cidade e da zona rural, que só dispõem de sua força de trabalho.

Dentro do capitalismo não se investe no que é necessário à população. Investe-se no que dá lucro. Exemplo disso é o caso do potencial hidrelétrico do Brasil. Apesar de o nosso país ter as maiores vias fluviais do mundo e energia hidrelétrica em abundância, o sistema capitalista impediu o Brasil de explorar a navegação fluvial e de construir ferrovias: assim somos obrigados a comprar petróleo e seus derivados, pois dependemos quase que exclusivamente do transporte mais caro, o rodoviário.

Os trabalhadores

No capitalismo, os grandes produtores de riquezas são os trabalhadores da cidade e do campo. Se eles param de trabalhar não há riquezas, não há bens necessários à vida. No entanto, são os que menos ganham. Os trabalhadores não podem sobreviver sem vender ao patrão a sua força de trabalho, ou seja, a atividade realizada por seus músculos e por seu cérebro para produzir bens. Os trabalhadores não conseguem algo melhor porque não lutam, desconhecendo sua força. É necessário que os trabalhadores se unam e se organizem.

Esquema de dominação
Já os donos do capital asseguram os seus interesses econômicos controlando as outras três esferas da sociedade: a política, a jurídica e a ideológica.

A esfera política

·        Nessa esfera os capitalistas controlam o Estado, impedindo que ele venha a ser ocupado pelos trabalhadores, reforçam o poder de seus partidos políticos, para que eles elejam a maioria dos deputados, prefeitos, vereadores, senadores, governadores e, sobretudo, o presidente da República. Ao controlar o Estado, eles controlam também as forças de defesa dos interesses do Estado: as Forças Armadas e as Polícias Estaduais.

 A esfera jurídica
·  Na esfera jurídica procuram aprovar leis que defendam os interesses do capital e impeçam que os trabalhadores prejudiquem esses interesses.

A esfera ideológica
· Além das forças políticas e jurídicas, os capitalistas contam ainda com uma esfera muito poderosa: a Ideológica. Ela coloca na cabeça das pessoas que a desigualdade social é um fenômeno natural e irreversível. Ela torna o pobre conformado com sua situação e tira da consciência da classe dominante qualquer preocupação para com a situação dos pobres. Enfim, a ideologia nos ensina a pensar de acordo com os interesses dominantes, aceitando a pirâmide assim como ela é. Assim, para a ideologia dominante, não é bom pensar diferente, pois isso pode levar a uma situação de revolta dos pobres, colocando em perigo o seu poder na sociedade.

Etapas do capitalismo

O Modo de Produção Capitalista nasceu com a manufatura (=trabalho manual) no Século XVI e se ampliou com a Revolução Industrial do Século XVII, na Inglaterra, que era a grande potência do mundo.

O capitalismo passou por várias etapas em sua história. No inicio, predominou a chamada “livre concorrência”, ou seja um capitalista competia com outro. Aos poucos, com a concentração de empresas e a introdução de novas tecnologias, surgiu o capitalismo monopolista (monopólio significa propriedade de um só). As grandes empresas foram levando à falência as pequenas. A empresa que tinha o monopólio de um produto passava a impor suas condições de mercado.

O Imperialismo
Os grandes países capitalistas iniciaram o Século XX tratando os demais como suas colônias. A Inglaterra dominou Uganda, Gana, Rodésia (hoje Zimbabwe), África do Sul, Índia, etc. A França dominou a Argélia e os Marrocos, entre outros. Os Estados Unidos dominaram Porto Rico e tomaram do México, um 1847 os atuais Estados do Texas, da Califórnia e do Novo México.

A relação entre metrópole e colônia se dava da seguinte maneira:
·  A metrópole tinha poder para dirigir a política e a economia da colônia
· A colônia fornecia produtos agrícolas e matérias-primas à metrópole e era proibida de ter industrias próprias
·A colônia só podia comprar produtos industrializados do país que a dominava
· Quem decidia os preços dos produtos exportados e importados pela colônia era a metrópole

Os povos de muitas colônias começaram a se revoltar. Queriam a independência e o direito de determinarem os seus destinos. Mesmo assim, a ânsia de libertação dos povos demonstrou ser mais forte que a força militar das metrópoles.

Surge, então, uma nova fase do capitalismo: o imperialismo

A diferencia entre o colonialismo e o imperialismo é que agora a dominação se faz principalmente através da dependência econômica. Os países desenvolvidos exportam capital para os subdesenvolvidos e, na forma de juros ou de lucros, recuperam duas ou três vezes mais do que investiram.

Mesmo na era da globalização em que pouco se usa a expressão “países subdesenvolvidos”, essa dependência econômica permanece ainda mais cruel, pois os países que não fazem parte dos blocos econômicos, estão excluídos do processo econômico mundial e tendem a se empobrecer ainda mais.

A forma mais sofisticada de exploração imperialista dá-se hoje através de empresas multinacionais e do controle da tecnologia que elas exercem.

Como funciona uma empresa multinacional?
Multinacional é a empresa que diversifica sua atividade por várias nações. Exemplos:
· Industrias automotoras, como a Volkswagen, a Fiat, a Ford
·  Industrias Alimentícias, como a Nestlé e a Coca-Cola
·  Industrias de eletrodomésticos, como a Philips

Antigamente, o brasileiro que quisesse comprar um carro Ford tinha que importá-lo dos Estados Unidos. Hoje em dia a Ford instalou suas fábricas pelos países do mundo e também no Brasil, a principal delas em São Bernardo do Campo, região do ABCD, em São Paulo.

Ao instalar fábricas nos países subdesenvolvidos como o Brasil, as multinacionais obtém as seguintes vantagens:
· Vendem seus produtos onde são produzidos, em gastar em transporte internacional
·Pagam menos impostos e ainda recebem subsídios e incentivos fiscais dos governos
· Contratam mão-de-obra muito mais barata que nos seus países de origem (o operário da Ford no Brasil ganha bem menos que o operário da Ford norte-americana)
·  Adquirem matérias-primas no país onde se instalam, a preço baixo
·Monopolizam o mercado, controlando-o, pois acabam com a concorrência das pequenas e médias empresas nacionais

A Educação mo Modo de Produção Capitalista
O que segue baixo é um texto de Ivo Lesbaupin, citado pelo Frei Beto, escrito em 1975, intitulado “Capitalismo e pessoa Humana”, no qual faz uma análise das oportunidades de educação nas sociedades capitalistas:

“... Chegar às universidades é coisa incomum às camadas pobres. E tudo tem a mesma causa: a exploração do trabalho. Porque, como o pai de família não ganha o suficiente, a casa não oferece condições para o estudo; a mãe tem que trabalhar e o filho não tem como obter o material escolar e, as vezes, nem mesmo a roupa para a escola. Freqüentemente o filho é forçado a trabalhar para ajudar no ornamento familiar, deixando consequentemente de estudar. Mesmo os que com muito esforço e sacrifício conseguem chegar às portas da faculdade têm que enfrentar a concorrência desleal com inúmeros outros que tiveram meios e ambiente para estudar. Pode-se dizer, portanto, que o ensino médio é seletivo, formando aqueles que tem condições financeira para tanto.

Ocorre aquilo a que nos referimos no início: o sistema capitalista, por basear-se na explorarão da grande maioria por um pequeno grupo, e por fazer do dinheiro a mola mestra do seu funcionamento, exclui a população pobre das vantagens da educação.

Verifica-se um desenvolvimento seletivo, isto é só se dá em benefício de uma classe. É ela que vai obter boas moradias, bom tratamento médico, bom ensino. A classe explorada se vê cada vez mais relegada. Aqui cabe uma observação: muitos se utilizam de exemplos de pessoas pobres que se esforçaram, estudaram com dificuldade e acabaram por vencer na vida, para dizer que no sistema capitalista todos têm as mesmas oportunidades. A diferencia seria que uns se esforcem e por isso se dão bem; outros não, daí serem pobres.

Análise da essência do capitalismo mostra que a verdade não é esta. Esses casos são exceções individuais. A classe trabalhadora como um todo nunca se enriquecerá. Os pobres como um conjunto nunca obterão condições dignas de vida. Só um ou outro pobre, um ou outro trabalhador, conseguem individualmente subir e furar o bloqueio que o prende à pobreza”.

Concluindo, é importante considerar que hoje 19% da população acima é analfabeta ou semi-analfabeta e os desempregados aproximam-se dos 40 milhões de pessoas. Há, na realidade, dois Brasis, que se contrastam:
·Um bem desenvolvido, mostrado pelos meios de comunicação, especialmente as tvs
·Outro real, pobre, distante, do qual fazem parte os excluídos do acesso à riqueza e estão confinados nos bolsões de pobreza, favelas, etc...


Imagem: Google.


Um comentário:

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